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Leitura de cartas feita por alunos do Sesi/AL aproxima gerações

Sexta-feira, 06 de abril de 2018

Ação foi do Programa Nacional de Incentivo à Leitura promovida pela Secult. Na ocasião, os estudantes escreveram cartas para os idosos do Lar Francisco de Assis, no bairro da Serraria

Ler cartas é um hábito quase perdido, mas os alunos da Escola Sesi Industrial Abelardo Lopes (Cambona) mudaram isso na manhã desta sexta-feira, 6, durante ação do Programa Nacional de Incentivo à Leitura promovida pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Na ocasião, os estudantes escreveram cartas para os idosos do Lar Francisco de Assis, localizado no bairro da Serraria.

Paulo Gomes, de 86 anos, era um dos mais empolgados em receber as visitas. Para dar boas-vindas aos estudantes, ele cantou “Primeira Mulher”, de Nelson Gonçalves. Depois, sentou com os alunos e começou a contar as histórias de quando era jovem. Para ele, o dia foi especial. “A gente ri, brinca, e vê a mocidade desses meninos que estão alegres, satisfeitos. Nós, velhinhos, estamos alegres com essa chegada. Cantei uma moda de 44, dos meus 12 anos”, disse. Para ler a carta de Paulo, o convidado foi Weslley Mateus, de 16 anos.

Foi a primeira vez em que o aluno do Sesi participou de um momento como este, mas foi suficiente para que ele quisesse conhecer mais. “Isso aqui me faz querer só ajudar. Acompanhar mais eles, vir mais vezes aqui nesse local que faz bem para mim e para eles também”, contou.

De acordo com a bibliotecária do Sesi, Nilda Batista, a ideia era fazer com que os alunos conhecessem dois mundos: a tecnologia do mundo atual comparada à vida que os idosos levavam quando estavam na adolescência. Mira Dantas, responsável pelo projeto pela parte da biblioteca pública, complementou:

“É muito importante que uma escola como o Sesi esteja atendendo a um lar, porque é uma realidade que aproxima as gerações, ajuda a aprenderem. Sair da teoria da sala de aula e ver na prática o que é um relacionamento social, res peito, e alguém que tem muita história para contar é uma experiência diferenciada”.

Os idosos foram se empolgando com a vibração dos estudantes. Entre aplausos, Aloísio Calheiros, de 93 anos, pegou o microfone e cantou “Meu Ex-amor”, de Amado Batista; Agenor Coutinho veio depois, homenageando Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Carlos Siqueira, ex-presidente do Alcoólicos Anônimos, contoua sua própria história e aconselhou os alunos a ficarem longe dos vícios.As últimas palavras ficaram a cargo de Jorge Calheiros, patrimônio vivo de Alagoas. Ele recitou cordéis e poemas.

“Hoje foi açúcar com mel, misturou tudo e foi bom demais. Eu adorei porque pelo menos alguém agora sabe que ele é um poeta. Agora, os alunos vão refletir duas vezes o que eles estão vivendo, a convivência deles. Vão começar a amar mais o próximo”, disse, entre sorrisos.

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